Entrevista com… Lúcia Cavaleiro

Entrevista com… Lúcia Cavaleiro

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Entrevista Lúcia cavaleiro

Lúcia Cavaleiro, 37 anos, natural de Viseu, trabalha na Direção de comunicação e Relações Públicas da TAP

Tens um curriculum recheado de empregadores sonantes, já trabalhaste no ministério do ambiente, no ministério da ciência, na RTP, SIC notícias, colaboraste com a TSF, antena 1, como tem sido agora a experiência na tap?
 
Tem sido uma oportunidade muito rica do ponto de vista do trabalho em comunicação. As características deste sector da aviação comercial e as particularidades de uma empresa com uma marca tão forte e tão consistente com é o caso da TAP permitem uma experiência muito completa no que à comunicação diz respeito, talvez a minha experiência profissional mais completa até hoje e já lá vão mais de sete anos.
 
 
O que guardas da tua passagem pela televisão?
 
Desde sempre quis ser jornalista e dentro da área, a minha preferência foi sempre a televisão, embora tenha ido também várias experiências de rádio que adorei. Felizmente tive a oportunidade de fazer televisão, desde reportagem, passando por entrevistas de fundo e pela apresentação de um programa. Guardo as melhores recordações e há algumas características desta profissão que exerci durante cerca de 10 anos que foi a de jornalista que nos acompanham para toda a vida. Há reações que ficam para sempre e se nos deparamos com alguma situação como um incêndio, por exemplo, em vez de começar a correr no sentido oposto, o primeiro instinto é correr na sua direção para tentar perceber o que se passa. É um exemplo extremo mas penso que ilustra bem que de facto há ações que se entranham e mais do que serem procedimentos associados a uma função fazem parte do nosso ADN. Esse instinto sempre esteve presente em mim. Um amigo meu contou-me uma história da qual eu não me lembrava mas que mostra como temos atitudes que desde sempre fizeram parte de nós. Ele conta que quando todos os vizinhos da nossa idade faziam corridas de bicicleta na rua, eu cedia a minha e ficava na linha da meta a recolher todas as declarações dos participantes, a fazer diretos de reportagem e entrevistas. Ele diz ser oficialmente o primeiro entrevistado da minha carreira pois ganhava sempre as corridas de bicicleta!

Como é fazer parte da direcção de comunicação da transportadora aérea portuguesa?
 
Como já referi a TAP é uma empresa com uma marca muito forte e com uma relação muito emocional com os seus clientes e com todos os portugueses. É uma empresa com uma expressão mundial e todos estes fatores trazem uma enorme responsabilidade a quem trabalha a comunicação da empresa. Pertenço a uma equipa pequena mas polivalente e sobretudo que funciona muito bem como equipa. Todos nós temos projetos que foram entregues à responsabilidade de cada um, por exemplo, eu sou responsável pela gestão e produção de conteúdos da TAP TV, a televisão interna da Companhia mas funcionamos muito bem enquanto equipa sempre que um determinado projeto assim o exige. Cada um assume a realização das tarefas que lhe são distribuídas num trabalho de interação e complementaridade fantásticos. O facto de cada um de nós estar apto a desempenhar qualquer uma das funções associadas a esta direção de serviços dá-nos uma enorme flexibilidade e capacidade de resposta enquanto equipa. 

Sendo colaboradora da TAP deves viajar imenso. Qual o País/cidade que mais te marcou?
Viajar é de facto uma característica que decorre das minhas funções mas não se pense que é “viagem à turista” para passear e fazer férias! São viagens de trabalho, com horários muito apertados e muito pouco tempo livre. Vamos o tempo necessário para desempenhar o trabalho definido. Naturalmente que sempre que possível gosto de tentar conhecer o máximo do destino até porque é importante conhecer os mercados nos quais operamos e desenvolvemos a nossa atividade.  Correr é das melhores formas para conhecer um destino. Sempre que possível, esteja sol, chuva ou neve, levanto-me muito cedo e vou conhecer o destino em modo de corrida. É a melhor maneira porque para não me perder tenho que redobrar a atenção e fixar pontos e referências, assim, sei exatamente que prédio está em cada esquina! E fazer isto sem prejuízo das minhas obrigações profissionais por vezes dá em acordar cedo…muito cedo mesmo, por exemplo, em Gotemburgo, na Suécia, acordei para correr às 5h da manhã! O que vale é que já havia luz do dia!
Tenho dificuldade em selecionar apenas um destino embora tenha alguns que me marcaram mais pelos trabalhos que lá desenvolvi como Miami para o qual fizemos um transporte histórico e extremamente delicado de uma das mais raras tartarugas do mundo permitindo preservar a espécie, num trabalho que foi acompanhado pela comunicação social em todo o mundo com repercussão em mais de mil televisões em mais de 90 países ou Roma em que montámos uma operação de transporte da imagem original da Nª Senhora que envolveu Fátima, o Vaticano e a Força Aérea Italiana e que tinha que ser feita num tempo máximo de 24 horas entre a ida e o regresso. Mas há tantos outros que me marcaram como Paris, Londres, Sal, Rio de Janeiro. Mais do que os destinos por si só, estes locais são especiais porque permitem-me ter contato com a realidade da TAP nos mercados nos quais opera, permite-me trabalhar com os meus colegas de todo o mundo, desde a preparação com os colegas das nossas bases em Portugal, como com os colegas tripulantes que fazem esses voos até aos colegas que nos recebem e acompanham nos destinos durante os trabalhos que vamos lá realizar e esses contatos e esses laços que se desenvolvem são o que trago comigo de mais precioso.
 

Viajar é sempre bom e muito enriquecedor, qual o destino que tens mais vontade de conhecer?
 
A minha primeira viagem de avião sozinha foi aos 15 anos. Fui ter com familiares meus ao Canadá. Além de sempre ter desejado ser jornalista, também sempre fui uma curiosa pelo mundo, em conhecer diferentes culturas e realidades. Os meus pais desde cedo identificaram estas minhas preferências e a minha mãe sempre achou que além de investirem na minha formação, deveriam “dar-me mundo” como a minha mãe sempre classificou, por isso, eu e o meu irmão sempre viajámos muito com os meus pais de carro, de avião, de comboio ou de barco, o importante sempre foi ir! Para um futuro próximo tenho no topo da lista de viagens que gostaria de fazer os destinos Marraquexe e São Tomé e Príncipe. 

Já te vimos na televisão ao lado do presidente da TAP, em revistas em representação da empresa para receber prémios e a posar ao lado de celebridades! A tua vida é sempre assim tão cheia de emoções?
 
A minha vida profissional é muito preenchida e recheada de muitos momentos agradáveis mas não se pense que é só o glamour, os prémios ou os eventos. Essa exposição resulta da visibilidade que uma empresa como a TAP tem em todo o mundo. De facto já fomos premiados no Qatar, na Grécia e já fomos receber prémios a muitos outros locais onde a TAP se sagrou como a Melhor Companhia Aérea da Europa ou mesmo do Mundo em determinadas categorias em grandes eventos. Faz parte das nossas funções e sempre que eu vou acompanhar sinto-me uma grande privilegiada mas há muito trabalho associado, sempre! Esta é uma ideia que deve estar sempre presente. 

Não podemos deixar de perguntar como tem sido gerir toda a celeuma que se criou com os problemas com os voos da TAP?
 
A TAP vive dos seus clientes, é para eles que deve dialogar sobre a atividade da Companhia e a sua operação, por isso, a comunicação e a transparência são valores fundamentais que estão presentes no nosso dia-a-dia de trabalho. Têm sido anos de muito crescimento, numa área de atividade cada vez mais competitiva e exigente em que temos procurado sempre dar o nosso melhor.

Como vês a evolução da TAP ao longo destes últimos anos em que colaboraste com a empresa?
 
Mesmo antes de trabalhar na TAP já vinha acompanhando o crescimento da Companhia, até como uma apaixonada por viagens. A preocupação com a abertura de novas rotas, a melhoria de oferta dos serviços, sempre tive a noção como cliente de se tratar de uma empresa que era pioneira no lançamento de novas ferramentas para facilitar a vida dos seus passageiros. Nos últimos sete anos tenho acompanhado este percurso de uma maneira muito mais consciente, informada e profissional e de facto esta é uma imagem que pude confirmar que corresponde efetivamente ao trabalho que a TAP realiza, sendo uma empresa muito focada nos seus objetivos de crescimento, com valores fundamentais como a segurança, a pontualidade, a simpatia e a eficácia. Tenho o maior orgulho em pertencer e representar a TAP no âmbito do meu trabalho.

Também já leccionaste cadeiras na tua área, qual é a melhor parte de ser docente? E a pior?

Durante alguns anos dei formação na área do jornalismo em simultâneo com o exercício da profissão de jornalista. Atualmente participo, por vezes, em seminários ou conferências sobre comunicação e participo muito pontualmente em ações de Media Training ou relacionadas com comunicação de crise mas o comum de todas estas ações é a oportunidade de refletir sobre várias temáticas pelas quais me interesso, obrigar-me a pesquisar e a procurar saber sempre mais e o primeiro aspeto de enriquecimento pessoal começa logo aí, depois outra vantagem é o que se ganha com o contato com as outras pessoas. É uma característica que sempre esteve presente em todas as funções que desempenhei profissionalmente, é o contato direto com pessoas de áreas, locais, culturas diferentes e que eu adoro. Quanto aos aspetos menos positivos é o trabalho e exigência que acabam por resultar destes projetos em alturas em que por vezes temos menos disponibilidade do que gostaríamos de ter para dedicar a cada ação porque falar com pessoas, participar na sua formação, ensinar são tarefas de uma responsabilidade tremenda. Mas sou uma inquieta por natureza e agora, 10 anos depois de ter começado o mestrado e ter feito uma pausa voltei aos bancos da Universidade para estudar uma temática na qual tenho um enorme interesse em saber mais que é a televisão corporativa.
 

A tua carreira leva a que a tua vida decorra em Lisboa. Sendo Viseense do que mais sentes falta da nossa cidade?
 
Viseu é a minha referência geográfica no mundo porque é a terra onde nasci e cresci até ir para a universidade. É a terra onde tenho as minhas raízes familiares e é disso que sinto falta em primeiro lugar, daqueles que mais amo e que lá vivem e que por isso estão mais longe do meu dia-a-dia. Tenho também saudades dos meus amigos, de passear a pé pela cidade. Agora quando lá vou aproveito para correr pela cidade, o que me sabe muito bem e para rever os amigos, pode ser pouco tempo mas é sempre desfrutado ao máximo. Viseu é uma cidade com qualidade de vida, da qual tenho as melhores referências e onde é sempre um prazer voltar sempre que me é possível.
 
por Susana Andrade

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