Fatos à medida do bom gosto

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AC ALFAIATES – ALFAIATARIA DE VISEU

Avelino Ferreira e Carlos Ferreira contrariam a ideia generalizada de que os alfaiates têm os dias contados. O pai e o filho Ferreira acreditam que a arte da alfaiataria veio para ficar e não está em vias de extinção porque ainda há aprendizes. Prova disso é o facto de o filho Carlos ter decidido contrariar, mais uma vez, a tendência na crise de sucessão com que a maior parte dos alfaiates se deparam hoje em dia. Há 9 anos, Carlos decidiu aprender com o pai Avelino a arte de cortar e coser tecido. E a partir daí a consolidação do negócio de família ganhou mais vida.
Avelino ensinou o filho a usar o dedal e a agulha e Carlos aperfeiçoou-se em Londres, onde tirou um curso de especialização em alfaiataria. À experiência do pai juntou-se a inovação e criatividade do filho e juntos tornaram a AC Alfaiates “o Bentley dos tecidos”, como refere Carlos em jeito de brincadeira.
Se, para alguns, uma ida ao alfaiate é uma extravagância cometida uma vez na vida, outros parecem estar predestinados a provar fatos feitos de raiz. Dirigida essencialmente a elites, Carlos Ferreira considera que “a classe média também pode vestir por medida”. A escolha do tecido é o que torna o fato mais caro. Existem tecidos acessíveis a todas as bolsas e gostos. A arte de bem-receber também não é descurada na Alfaiataria Ferreira. No seu interior, os clientes têm uma espécie de sala de estar com um atendimento personalizado e descontraído, onde escolhem um dos milhares de padrões de tecidos, podendo inclusivamente beber um café, espumante ou mesmo vinho do Porto. É tudo pensado com o máximo detalhe e a cuidar de quem os procura para bem vestir.
Excelência na qualidade, eficiência no serviço e um cunho pessoal são os valores em que assenta a atividade que desenvolvem no ateliê situado no 1º andar do número 15 da Rua Direita, em Viseu. A cada peça (calças, coletes, camisas, casacos) é dada uma atenção individual de exclusividade e pormenor. Orgulham-se de manter viva, há cerca de sessenta anos, em Viseu, os mesmos anos de experiência de Avelino, a profissão tradicional de alfaiate, sempre atentos aos mais recentes materiais – os tecidos. Produzidos cada vez mais com recurso às tecnologias mais avançadas, os tecidos são de alta qualidade mundial, notória quer na facilidade com que o pano é trabalhado quer na satisfação do cliente ao vesti-lo.
Sem recorrer a qualquer publicidade ou estratégia de marketing (apenas têm um site próprio – http://www.acferreira-alfaiates.com/ – e uma página no Facebook – https://www.facebook.com/acferreira.alfaiates), os clientes são maioritariamente advogados, empresários, políticos, noivos, mas também começam a surgir cada vez mais homens que preferem ter um único fato em vez de muitos e que lhes assente que nem uma luva.
Ao cliente cabe o papel de escolher o tecido entre uma variedade de referências. É ele quem determina desde o estilo até ao tipo de botões, tendo a liberdade de poder selecionar as costuras que mais se adequam ao seu gosto. Depois disso são os mestres da agulha e do dedal que dão largas à sua imaginação e com o giz desenham no tecido as marcas que orientarão as suas mãos e que guiam a tesoura, tornando-o numa peça de vestuário personalizada e única no mundo inteiro. A prova da roupa é disso mais um exemplo. Nada pode falhar e nesta fase intermédia ajusta-se a peça a quem a vai vestir. Mais riscos de giz, medidas e alfinetes permitem obter um projeto final. Quando a confeção está terminada tira-se a prova dos nove. O corpo recebe a sua nova peça de vestuário. Um nome, medidas e formas fazem da moda por medida uma arte que anda de mãos dadas com as pessoas, que é feita para as pessoas em todas as suas dimensões, que tem a sua assinatura (no interior do fato, o cliente tem o privilégio de ter as iniciais do seu nome gravadas à mão). Depois de 60 a 80 horas de trabalho nascidas das mãos de Avelino e Carlos, o fato está pronto-a-vestir, mas à medida.
Na lista de desafios da AC Alfaiates está o calçado por medida, próximo passo que será dado para mais uma aposta de pai e filho. Uma coisa é certa: alfaiate é quem faz um fato, mas no mundo da moda masculina por medida a tradição é cada vez menos aquilo que era.

por Margarida Cerveira

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